quinta-feira, 14 de abril de 2011

avaliação – Chevrolet Camaro SS 2011

Avaliação GM


Foi um final de semana inesquecível, isso eu posso afirmar. O motivo de tanto entusiasmo tem um motivo, passei um final de semana inteiro com a quinta geração do cupê esportivo da Chevrolet mais desejado atualmente pelos amantes de carros, o Camaro SS. Nesse período curto pude desfrutar de toda sua potência durante quatro dias e 250 km rodados. O esportivo foi usado praticamente na cidade do Rio de Janeiro, com passagens pelo Alto da Boa Vista e pela zona sul, na Lagoa Rodrigo de Freitas, além da orla da Barra da Tijuca. As fotos dessa matéria foram feitas em uma pequena rua, sem trânsito, atrás do Autódromo Nelson Piquet, em Jacarepaguá, local mais que apropriado para um verdadeiro esportivo de sangue quente.


Quando fui buscar o Camaro SS na concessionária, durante o caminho o nervosismo aumentava cada vez mais, afinal, não esperava avaliar um carro tão caro e tão desejado pelos entusiastas. A oportunidade única também me fez pensar em ter muita cautela com o carro, aliás, foi recomendação do assessor de imprensa da Chevrolet, Ivan de Oliveira. Por isso, adianto que o Camaro SS não foi testado como devia, em uma pista controlada, mas o teste serviu para avaliar outros aspectos do carro, como receptividade das pessoas nas ruas, com ele parado ou em movimento, sempre tinha alguém fotografando ou admirando a sua beleza, ou mesmo, quando eu estacionava o carro, sempre vinha alguém me parabenizando pelo belo carro, perguntavam quanto custava, potência do motor entre outras curiosidades. Além das impressões de guiar um verdadeiro pony car nas ruas.


Agora vamos ao que interessa, falar do Camaro SS. O esportivo da Chevrolet foi apresentado oficialmente no dia 23 de novembro a imprensa, em um teste rápido na pista da marca em Indaiatuba, no interior de São Paulo, o CarPoint News não esteve presente na época, mas em contrapartida teve mais tempo para avaliar o carro agora. O Camaro de primeira geração foi lançado na segunda metade da década de 1960 e já entrou na lista dos pony car, carros esportivos de porte compacto e motores potentes. Entre seus principais rivais estavam o pioneiro Ford Mustang e o Dodge Challenger, que devido à crise do petróleo iniciada em 1973, esses carros sumiram do mercado, por serem beberrões. Mas atualmente a maioria das montadoras está revivendo esse passado e criando releituras de seus famosos pony cars e a concorrência voltou a ser como era antigamente.



O Chevrolet Camaro SS é comercializado em uma versão única, correspondente ao pacote mais completo da SS. O esportivo trás alguns itens de tecnologia que merecem destaque como o head-up display (HUD), que reproduz no parabrisa, na direção do motorista informações como velocidade, giros do motor, indicação de direção entre outros, recurso muito útil para quem não quer outra distração, a não ser curtir a direção, esse sistema pode ser desligado, caso o motorista não faça questão dessas informações no vidro do carro. Também tem controles de estabilidade e tração em dois níveis selecionáveis; seis airbags; quatro medidores extras no console central (incluindo temperatura e pressão de óleo); computador de bordo com sete funções; sistema de som de 245 watts com nove alto-falantes, entre muitos outros, enfim, quem está à bordo dessa máquina musculosa não tem do que reclamar em relação ao conforto oferecido.

Para conter seu insaciável consumo por gasolina, o Camaro SS conta com o Active Fuel Management (AFM), sistema que desliga quatro dos oito cilindros em situações de condução moderada, procurando uma maior economia de combustível, que segundo a GM, o consumo combinado cidade/estrada é de 8,2 km/l, mas não foi isso o que aconteceu durante a avaliação, sua média foi de 4,5 km/l, mas acredito que isso não seja problema para quem tem ou terá um esportivo desse nível em sua garagem. O modelo conta ainda com a opção da troca sequencial das seis marchas do câmbio automático por meio de aletas atrás do volante. Para o conforto do motorista e carona, estão lá os excelentes bancos esportivos forrados em couro (como o volante) de ótima qualidade e os assentos com regulagem elétrica, o volante possui regulagem de altura e profundidade, que nesse caso, ajudou bastante na hora de conseguir uma boa posição de “pilotar”. O painel apesar de aparentemente ser de boa qualidade, tem plásticos duros nas portas e em algumas partes do tabelier, que emitem alguns barulhos em seu interior, principalmente quando as rodas de 20 polegadas passam pelos esburacadas ruas do Rio de Janeiro.


Suas formas são marcantes e chamam a atenção por onde passa, para quem é tímido ou não gosta de chamar a atenção é melhor nem pensar em ter um carro desse na garagem, não só pelo seu tamanho de 4,84 metros. Suas linhas remetem as da primeira geração, fabricada entre 1967 e 1969. Na dianteira destaca-se a enorme grade preta com a gravata da Chevrolet dourada ao centro e os faróis praticamente escondidos nas estremidades, fazem conjunto com o enorme capô elevado com uma pequena entrada de ar ao centro. O pára-choque tem formas musculosas com faróis de milhas redondos em suas extremidades e uma grande “boca” ao centro, transmitindo ainda mais esportividade ao pony car norte-americano. De lado as linhas são mais limpas com destaque para as enormes rodas de alumínio com 20 polegadas - de tala 8' na dianteira e 9' na traseira. Por trás das rodas ainda é possível observar os enormes discos de freios (com 35,5 cm de diâmetro e 3,2 cm de espessura na dianteira e 36,5 cm de diâmetro e 2,8 de espessura na traseira) e as pinças Brembo. Nas rodas traseiras existe um ressalto da carroceria, transmitindo a sensação de músculos aparentes, que são ornamentados com uma espécie de entrada de ar falsas na borda do pára-lama. O visual é completado com as lanternas traseiras pequenas e dispostas em dois pares envolvidas por bordas cromadas, que fazem conjunto com um discreto aerofólio e a gravata dourada da Chevrolet ao centro do porta-malas. Sob o para-choque está um extrator na cor preta que envolvem as duas ponterias cromadas do escapamento, transmitindo ainda mais esportividade as linhas agressivas do Camaro SS.


O interior é marcado por detalhes que contemplam o passado, o painel exibe um desenho futurista e os mostradores são em profundidade e envolvidos por duas molduras quadradas, ao melhor estilo anos 60. O passado se junta à modernidade com a iluminação em Ice Blue, a mesma tonalidade encontrada no Agile e no Malibu, composta por uma fileira de LED azul, que percorre parte das duas portas. A Chevrolet ainda oferece como acessório novos revestimentos de portas, feitos em um material brilhante e colorido, sendo três opções de cores: amarela, branca e prata. As portas exibem um revestimento feito em uma resina especial. No console central estão disponíveis quatro marcadores em formato retangular, que medem a pressão e a temperatura do óleo, a voltagem da bateria e a temperatura do fluido da transmissão de marchas. Esses marcadores eram mais usados na década de 60, os modelos atuais não necessitam mais desse tipo de marcadores.


É difícil falar dos defeitos de um esportivo desse nível. Mas por incrível que parece o Camaro SS tem alguns problemas que podem ser mudados, como o volante, que apesar de muito bonito, o aro é pequeno e atrapalham para se obter uma boa empunhadura das mãos, fator muito importante na hora de guiar um esportivo com mais de 400 cv de potência. Assim como os botões nos raios, do controle de velocidade, som e telefonia são somados a essa dificuldade. Mas fora esse detalhe, o carro é excelente de guiar, tanto no trânsito pesado, quanto na estrada. Apesar do capô ser grande e largo, não senti dificuldades para andar no trânsito pesado do Rio de Janeiro, ou mesmo manobrar, só a largura que atrapalha um pouco a visão traseira, que é bem restrita, mas com o auxílio do sensor de estacionamento, fica mais fácil colocar o musculoso carro na vaga. Na hora de acelerar não é preciso ficar acanhado, o Camaro SS esbanja força e potência, seu torque de 56,7 kgfm de torque a 4.200 rpm, do motor de 6.2 litros é impressionante, ao pisar com o pé direito no acelerador o esportivo norte-americano não se mostra tímido, ele chega facilmente aos 160 km/h sem pestanejar. Da mesma forma que seus freios são eficientes e deixam o motorista bem à vontade para abusar um pouquinho da sorte. Para auxiliar nas curvas, o Camaro SS conta com um controle de estabilidade, que pode ser desligado a um pequeno toque em um botão no console central, mas claro que recomenda-se manter o controle de estabilidade ligado, ainda mais para quem não é muito hábil no volante. Resumindo, o carro segura bem, graças ao trabalho conjunto da suspensão com estrutura multibraço e o diferencial de deslizamento limitado, que são auxiliados pelas rodas de 20 polegadas calçadas com pneus 245/45 ZR20 na dianteira e 275/40 ZR 20 na traseira, que grudam no chão e deixam a sensação de estar andando sobre trilhos. Em certas situações o esportivo sofre um pouco, principalmente ao passar por buracos, mas nada muito exagerado, sempre na medida certa, pois sua suspensão é bem macia e os pneus de perfil alto absorvem bem as imperfeições das ruas de aspecto lunar do Rio de Janeiro. Enfim é um esportivo gostoso de dirigir, sem muito sofrimento.


Segundo dados enviados pela Chevrolet, foram emplacados desde o se lançamento oficial 376 unidades em 2010 e 341 unidades no primeiro trimestre de 2011, somados chegam a 717 unidades e menos de um ano de vendas, isso quer dizer que o esportivo está sendo bem aceito, comparado a outros esportivos do mesmo nível e que custam bem mais caros. O Chevrolet Camaro SS está disponível no Brasil em cinco diferentes cores. Vermelho, Amarelo, Branco, Preto e Prata e a montadora está estudando trazer a cor Laranja, que tem tudo a ver com as linhas do carro, bem chamativa. A montadora também oferece kits de personalização, para quem quiser deixar o modelo ainda mais em evidência nas ruas. A customização pode ter na primeira lista de acessórios, sete itens: cobertura para o motor, dois tipos de faixa decorativa: tampa do tanque em aço escovado, grade frontal, apliques estéticos para o interior e capa protetora. A capa do motor pode vir pintada nas cores amarela, vermelha (cor usada no modelo avaliado) e preta. Também podem ser adicionadas dois tipos de faixas decorativas, como um um conjunto de três faixas (uma central, sobre o capô e a tampa traseira e outras duas na lateral) e em três diferentes cores: preta, cinza e branca, que pode ser combinada de acordo com a cor da carroceria escolhida pelo cliente. Além de uma faixa dupla, nas cores preta, branca, prata e cinza, que já estampou a carroceria do Bumblebee, um dos robôs da trilogia Transformers. Para os mais apaixonados, a Chevrolet oferece em suas concessionárias dois modelos de capas protetoras: uma cinza com faixas pretas e a vermelha, também com faixas pretas. O Camaro SS custa no Brasil R$ 185 mil e chega sem nenhuma redução de tarifa, nos Estados Unidos, o mesmo carro custa cerca de US$ 34.295 (aproximadamente R$ 60 mil). O preço tem suas razões, o esportivo chega equipado com o motor mais potente da linha Camaro, um V8, disposto longitudinalmente, de 6.2 litros e 16 válvulas, com bloco e cabeçotes feitos em alumínio. O propulsor desenvolve 406 cv de potência a 5.900 rpm e impressionantes 56,7 kgfm de torque, a 4.200 rpm, suficientes para empurrar os 1.770 kg do esportivo. Segundo a montadora, o Camaro acelera de 0 a 100 km/h em 4,8 segundos e tem velocidade máxima limitada eletronicamente em 250 km/h. O esportivo é fabricado no Canadá na fábrica de Oshawa. A pior parte do teste foi ter que devolver esse carro apaixonante e inesquecível, um esportivo como esse vai estar guardado na memória de todos que tem e tiveram a oportunidade de “pilotar”, nem que seja por algumas horas ou poucos dias.


*FICHA TÉCNICA:

MOTOR
Modelo: L99
Disposição: Dianteiro, longitudinal
Número de cilindros: V8
Cilindrada (cm3): 6.162
Diâmetro e Curso (mm): 103.2 x 92
Válvulas: 16 válvulas, duas válvulas por cilindro
Injeção eletrônica de combustível: S.F.I. (Sequential Fuel Injection)
Taxa de compressão: 10,87:1
Potência máxima
(SAE): 406 cv a 5.900 rpm
Torque máximo líquido
(SAE): 56,7 kgfm a 4.600 rpm
Combustível recomendado: Gasolina Premium
Rotação máxima do motor (rpm): 6.200
Bateria: 12V, 100 Ah
Alternador: 150 Amp
Consumo NBR 7024 (km/l) 6,9 / 10,8 /8,2

TRANSMISSÃO
Modelo: Sequencial/Automática de 6 velocidades
Relação de marchas:
Primeira: 4.03:1
Segunda: 2.36:1
Terceira: 1.53:1
Quarta: 1.15:1
Quinta: 0.85:1
Sexta: 0.67:1
Ré: 3.06:1
Diferencial (eixo traseiro): 3,27:1

CHASSIS/SUSPENSÃO
Dianteira: Independente do tipo Multi-link
Traseira: Independente do tipo Multi-link
Direção: Hidráulica
Direção redução (linear): 16.1:1
Direção número de voltas
(batente a batente): 2,5
Diâmetro de giro (m): 11,5

FREIOS
Tipo: Discos ventilados dianteiros e traseiros, sistema de freios antibloqueante (ABS)
Diâmetro x espessura (mm): Dianteiro: 355 x 32;
traseiro 365 x 28

RODAS/PNEUS
Rodas tamanho e tipo: Dianteira – 20 x 8– Alumínio
Traseira – 20 x 9 – Alumínio
Pneus: Dianteiro - 245/45ZR20
Traseiro - 275/40ZR20

DIMENSÕES/PESOS
Distância entre eixos (mm): 2.852
Comprimento total (mm): 4.836
Largura carroceria (mm): 1.918
Largura total s/ espelhos (mm): 2.089
Altura (mm): 1.371
Bitola (mm): Dianteira: 1.618; traseira: 1.628
Altura mínima do solo (mm): 156,5
Ângulo de ataque: 15°
Ângulo de saída: 19º
Peso em ordem de marcha (kg): 1.790
Distribuição de peso(% dianteira/traseira): 52/48

CAPACIDADES
Porta-malas (litros): 384
Carga útil (kg): 332
Tanque de combustível (litros): 71

DESEMPENHO - dados da GM
Velocidade máxima (km/h): 250 (limitada eletronicamente)
Aceleração 0 a 100 km/h (s): 4,8

Modelo: Chevrolet Camaro SS
Carroceria / motorização: Passageiro, cupê , 4 passageiros, 2 portas, motorização dianteira, tração traseira
Construção: Carroceria em aço galvanizado nos painéis exteriores
Fabricação: Oshawa Plant, Ontário, Canadá

*Dados de fábrica

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